Me ensina a desacostumar que eu vou. Me diz um
jeito de não correr pra você, quando mais uma tentativa de nova história não dá
certo. Ajuda-me, porque eu já não aguento mais acabar te contando mais um dia
meu, mais um dia sem você, como sempre, só que agora já não me
dói. Não sinto mais sua falta, não morro de saudades, não choro, nem sinto meu
estômago virar ao contrário quando te vejo, te beijo. Nunca mais tive vontade
de dizer que te amo, porque não estou certa se isso seria uma verdade. Muito
carinho, talvez. Você sempre vai ser grande parte da minha história e do que eu
sou não dá pra negar, nem apagar. Não seria justo me arrepender, apesar dos
pesares e dos pesos de um amor mal vivido. Apesar das cicatrizes permanentes,
tivemos também dias felizes, dor e felicidade numa gangorra. Hoje somos dois,
duas vidas independentes, que se encostam uma na outra pra descansar de toda
essa loucura e essa gente que mente até o nome. Só porque é seguro e familiar,
não por qualquer sentimento, além disso. Só porque esse parece o caminho de
casa e quando se pensa num futuro, os nomes se jogam automaticamente, mesmo sem
fazer sentido. Mesmo sem a gente perder os sentidos só de se olhar, mesmo sem
entender o que nos prende se não mais o amor. Mas a verdade é que ninguém tá
preso. Então que nos invada o desapego, porque a palavra de ordem é
desacostumar.

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